Três anos se passaram desde o ataque do Hamas no "7 de Outubro". Eis uma pequena história mas muito simbólica:

Em Yom Kipur, estivemos no Kibutz Gvulim, vizinho à cidade israelense de Sderot. Shlomi Davidovitch, um querido membro do kibutz, foi assassinado em 7 de outubro e, em sua memória, foi inaugurada ali, pela primeira vez, uma sinagoga, que recebeu o seu nome.

Depois da oração de Mussaf de Yom Kipur, Gil Shvartzman, membro do kibutz, nos contou, emocionado, sobre um dos projéteis disparados pelos terroristas contra o portão do kibutz, numa tentativa fracassada de invadi-lo.

O projétil atingiu o portão e saiu pelo outro lado, deixando um formato de Estrela de David. No kibutz, decidiram não consertar essa abertura, mas colocar uma placa ao lado do formato da Maguen David.

Ao término de Yom Kipur, na saída, paramos o carro e descemos para ver a marca deixada pelo impacto. Havia poucos minutos que tinha terminado uma enorme e emocionante oração de Ne’ilá, na qual todos proclamaram “Shemá Israel” e cantaram “No próximo ano, em Jerusalém reconstruída”.

As vozes ainda ecoavam na minha cabeça quando vi, no portão do kibutz, o símbolo que conta toda a história: o inimigo quis nos atingir, nos eliminar, mas, na verdade — criou um um símbolo poderoso. Fortaleceu nossa identidade. A partir do golpe que nos atingiu, ele nos lembrou quem somos e qual é a nossa história.

Que possamos, a partir desta enorme dor, nos conectar, nos fortalecer e nos unir.