Um e-mail apareceu na minha caixa de entrada no trabalho. "Clique aqui para ouvir uma mensagem de voz importante."

Meu coração disparou. Será que eu tinha deixado passar alguma coisa? Seria um aviso sobre meu desempenho no trabalho? Com muita apreensão, cliquei no link. Um alerta surgiu: este e-mail era um teste de sistema para prevenir ataques de hackers e phishing. Eu quase caí numa armadilha.

Os perigos do phishing não podem ser subestimados. O phishing é a forma como os hackers conseguem penetrar nos sistemas mais seguros — grandes redes de lojas, bancos, hospitais e agências governamentais. Basta um funcionário clicar descuidadamente em um link ou inserir seu ID e senha para que um hacker consiga acesso a todo o sistema.

Assim como nossos e-mails são inundados por spam, nossos cérebros são bombardeados ao longo do dia por uma avalanche de pensamentos aleatórios, impulsos e desejos. Assim como as caixas de entrada, nossos cérebros possuem filtros que nos permitem desviar nossa atenção de distrações para que possamos nos concentrar totalmente na questão em pauta. Podemos aprender a ignorar informações irrelevantes ou contraproducentes.

Um ataque de phishing é diferente. Suas tentativas exploram justamente o mecanismo que usamos para filtrar spam: nossa consciência; nosso desejo de fazer a coisa certa. “Atenção: você tem uma mensagem importante do trabalho!”

Vem o pensamento: Se o trabalho está me chamando, preciso prestar atenção. Não posso ignorar isso. É melhor clicar no link.

Mas o que é phishing da alma?

Chegamos ao ponto em que a má inclinação já aprendeu que vamos ignorar os apelos explícitos aos nossos instintos mais básicos. Os e-mails que me prometem amor romântico ou milhões de dólares do meu tio nigeriano vão direto para a pasta de spam. Então, a má inclinação nos manipula de uma maneira diferente: “Tenho uma mensagem importante para você! Você não está fazendo um bom trabalho! Você está fracassando!”

Funciona assim:
A porção da Torá de Ki Tavo enumera as maldições mais terríveis que recairão sobre o povo judeu se não servirem a D’us corretamente. A seção conclui com estas palavras: “Estas maldições recairão sobre vocês porque não serviram a D’us com alegria e bondade de coração.”

Os ensinamentos chassídicos explicam que a ênfase está nas palavras "alegria e bondade de coração". A má inclinação faz o possível para nos roubar a alegria de servir a D’us, deixando-nos vulneráveis às piores ameaças.

Como nos proteger de phishing?

Precisamos ficar atentos às artimanhas da má inclinação. Mesmo quando ela se apresenta como a voz da nossa consciência, dizendo que não somos bons o suficiente e que precisamos ser melhores, precisamos parar e pensar: esse pensamento realmente me beneficia? Esse pensamento vai me elevar ou me inspirar a realizar meu trabalho com alegria?

Essa precaução contra a manipulação espiritual é especialmente importante durante o mês de Elul , quando fazemos um balanço do ano que passou e nos preparamos para o novo. É um mês de reflexão que pode facilmente levar a pensamentos de ansiedade e inadequação. Portanto, precisamos tomar todas as precauções para não nos deixarmos levar pela melancolia. O mês de Elul também é um período de alegria, quando o amor e a compaixão Divinas predominam, quando Ele graciosamente acolhe cada uma de nossas tentativas de teshuvá, retornar a Ele.

D’us não busca nossa tristeza, nosso medo ou nossa mágoa. Tudo o que Ele quer é se conectar conosco. Ele aguarda até o menor gesto de nossa parte para nos abrirmos às Suas abundantes bênçãos para um ano bom e doce.