Existe uma canção em iídiche, Fort a Yidele in a Shiffele, que descreve uma situação desesperadora e as opções limitadas disponíveis:

Um judeu navegava num pequeno barco,
O barco se quebra e ele está se afogando,
Ele grita: "Tatenyu! (Querido Pai!) Salve-me! Salve-me!"
"Não posso te ajudar. Não posso te ajudar."

Um judeu navegava num pequeno barco,
O barco se quebra e ele está se afogando,
Ele grita: "Mamenyu! (Querida Mãe!) Salve-me! Salve-me!"
"Não posso te ajudar. Não posso te ajudar."

Um judeu navegava num pequeno barco,
O barco se quebra e ele está afundando,
Ele grita: "Rebenyu! (Querido Rebe!) Salve-me! Salve-me!"
"Você não vai se afogar! Você não vai se afogar!"

Qual é a mensagem da canção e qual a sua relação com a porção da Torá desta semana, Côrach?

A canção destaca um dos papéis de um Rebe: mostrar a uma pessoa que ela é capaz, mesmo quando ela própria já desistiu.

De onde vem esse poder? Como um Rebe pode dizer "você consegue" quando a pessoa e seus próprios pais já se renderam?

A resposta reside na singular clareza de perspectiva de um Rebe, e especificamente em sua visão do potencial humano. Ele não apenas o vê; ele capacita outros a vê-lo também. E não apenas a vê-lo, mas a ativá-lo, agir de acordo e emergir vitorioso.

Na porção da Torá desta semana, encontramos exatamente esse cenário. Côrach não estava satisfeito com a autoridade de Moshe e Aharon. "Toda a congregação é santa, e D’us está entre eles", argumentaram Côrach e seus 250 seguidores. "Por que, então, Moshe e Aharon se elevam acima da comunidade de D’us?"1

O resultado foi que D’us interveio decisivamente, afirmando Moshe como líder e confirmando que tudo o que ele havia instituído era por mandamento Divino.

De uma perspectiva chassídica, a disputa não era simplesmente sobre autoridade em geral, mas sobre o tipo específico de autoridade que Moshe representava.

A autoridade de qualquer líder comum deriva daqueles que são liderados, como o patriota uruguaio General José Gervasio Artigas tão eloquentemente expressou: "Minha autoridade vem de vocês e termina na presença da sua vontade soberana." O povo escolhe o líder que acredita ser o mais capaz de ajudá-lo a alcançar seus objetivos; o líder serve ao povo.

A autoridade de Moshe era de natureza completamente diferente. Vinha de D’us e, portanto, era independente da vontade do povo. Não era definida por voto popular ou preferência pessoal. Não se tratava de conduzir o povo para onde ele queria ir, mas para onde ele precisava ir.

Se alguém acredita que o universo é produto do acaso cósmico e a própria existência, produto do acaso biológico, a única verdade é a verdade pessoal: o que se deseja e quem pode ajudar a alcançar e defender esse desejo. Mas se partirmos da crença de que toda a existência é resultado do desígnio e da criação Divina, então o que mais importa é saber o que o Criador deseja — em geral, e de cada um de nós especificamente.

Dessa perspectiva, a verdade pessoal deve ceder à Sua verdade. E para conhecer a Sua verdade, é preciso recorrer a alguém com as qualificações necessárias para conhecê-la — principalmente, ter subordinado genuinamente a própria vontade à de D’us.

A ferramenta para esta semana: Não basta admirar as virtudes pessoais do Rebe. Podemos e devemos aproveitar a oportunidade que cada um de nós tem para trazer maior clareza às nossas próprias vidas, acessando e nutrindo-nos de seus ensinamentos. Você não se afogará.